Geraldo Magela Matias
Não vou me atirar em prantos no pescoço de um cavalo açoitado por um cocheiro como fez Nietzsche. Ele, Nietzsche, chorou copiosamente no colo da irmã Elizabeth. Talvez ele tenha herdado do pai, pastor luterano, as anomalias no cerébro. Mas louco ele não foi quando publicou seus livros. Até mesmo Zaratustra foi escrito para ser letra de composição musical. O filósofo que usou a pobre escrava da literatura morreu batendo a cabeça nas paredes, mas antes quebrou mitos e inventou a roda do eterno retorno.
Mas vamos deixar de bobagens. Estou ficando velho, estou ultrapassando a barreira da vulgaridade. Nada nos é trazido, todos os dias, depois de intensos debates. Quem poderia adivinhar que o maior partido de "esquerda" da América Latina iria fazer um pacto com a Igreja Neopentecostal, a Igreja Universal do Reino de Deus? Edir Macedo, o papa da Igreja (não vou ser idiota de chamar os negócios do Edir de "seita") sempre aliou sua própera estrutura teológica aos interesses neoliberais trazidos pelos ventos da "modernidade" no Brasil. Bobagens, deixemos para lá! Se você resolver cortar as orelhas como Van Gogh, nunca espere repetir a arte pictorial do holandês maluco, esquizofrênico. No Brasil não há necessidade de cortar orelhas, pulsos e se atracar no pescoço de um cavalo. Já não ha necessidade que ninguém me tente convencer de que existem diferenças entre loucura, ilusão, realidade e fantasia. Sou brasileiro.
Mas tenho uma certeza, eu, que sempre fui tratado como o "louco de estimação", o "amigo bizarro", possuo em minha caixa de ferramentas o improviso. Ultrapassamos a barreira das inovações, deletamos paradigmas, apagamos éticas e achamos que o mundo estaria no "fim da história". Bobagens. Até mesmo a arte assimilou essas bobagens vulgares: tudo derrete nos museus, tudo é provisório. É o niilismo que a literatura russa iria rir, chorar, babar de gargalhar.
Por isso tudo, convido aos leitores desse escriba que escreve, desse "louco de estimação", desse cidadão que ouve e fala besteiras, não tenham Marx como conselheiro no toclante ao combate de idéias. Tenham Hegel como companhia: combatam, matem, aniquilem as idéias de seus opositores. Humilhem, sacaneiem, falem mal dos vossos algozes. Mas, encarecidamente, por favor, vamos fazer tudo isso num bar. Um boa cerveja, belas mulheres. Sem querer cometer a violência de oprimir o outro com gostos e preferências. Até porque tudo nos leva ao nada. "Eis o sentido da vida: ela tem fim", afirma Albert Camus, o cara que arrebentou com o voluntarismo e o marxismo de Sartre. E daí? Bem, não tenhamos em mente a loucura de acreditar em homens e mulheres que mamam nas tetas do Estado buruguês, que vivem da mediocridade, que são os "comunas de estimação" dos "bons burgueses". Acreditar em quem? Somos todos humanos, demasiado humanos. Por isso convoco o mesmo espírito que trabalhou a mente de Epicuro para habitar entre nós: sejamos felizes, com boa cerveja, vinho, mulheres (e elas com seus lindos homens).
P.S.: gosto de qualquer cerveja.

1 Comments:
Oi Geraldo!
Lá em casa só tem vinho, mas posso ir até o boteco tomar cerveja com vocês, ouvir e falar bobagens.
Até.
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