meus sonhos não são normais
bruno ribeiro
Faz tempo que estou para escrever sobre os sonhos que tenho. Quando posso me lembrar deles, fico admirado com a capacidade do meu cérebro de criar situações absurdas. Nessas horas desejo ter o talento de um Dalí, para botar o sonho numa tela e montar uma exposição. Sei que sonhos, em geral, são malucos. Mas muita gente diz que sonha coisas mais ou menos normais: estar beijando tal artista de novela, estar voando, estar fugindo de um ladrão numa mata escura. Tá, são coisas improváveis, ninguém voa. Mas são sonhos recorrentes para todo mundo. Os meus são incompreensíveis mesmo. Olha só: sonho de ontem. Cena: uma creche infantil cheia de crianças remelentas tomando sopa. Sinto o cheiro de sopa, aquela gritaria me irrita um pouco, mas eu estou lá à convite da diretora. Eu não a vejo, mas sei que ela existe no sonho. Estou sentado numa mesa enorme, daquelas compridas que servem como passarela para desfile de modelos. Eu sou jurado de um desfile de modas que vai acontecer na creche, e quem vai desfilar usando os modelitos (ternos e gravatas) é o deputado Aldo Rebelo, presidente da Câmara. Conversamos rapidamente, ele está tenso e suando frio, nunca desfilou antes. Eu vou com ele até um bebedouro e preparo um copo de água com açúcar. O açúcar, claro, eu tiro do bolso, num saquinho que levo especialmente para o caso de precisar tomar uma água com açúcar. Ele toma, trêmulo, me dá um tapinha nas costas e diz: "chegou a hora". O DJ é o Marcos Valério (só que no sonho ele está usando uma peruca ruiva) e assim que rola o som, o deputado entra usando um terno clássico, depois de percorrer a mesa toda e entrar na cabine, volta com um terno cor de rosa e uma cueca por cima da calça com o desenho de uma pimenta no pau. As criancinhas começam a vaiar a jogam os pratos de sopa nele. Um prato acerta a parede perto de mim, me abaixo com medo das crianças. Aldo sai correndo e me chama: "por aqui, depressa!". Eu saio correndo e vejo o Marcos Valério sendo espancado pelas crianças enfurecidas. Chegamos ao pátio e pulamos o muro. Caímos em Brasilia, de repente. Ele, com aquele terno ridículo, se despede com um abraço e diz: "eu fico por aqui". E mergulha no espelho d'agua do Congresso e desaparece. Eu me curvo para ver onde é que ele foi e fico olhando a água turva por alguns minutos. Depois acordo de repente e começo a rir do sonho. Definitivamente, eu não bato bem.
Sexta-feira, Fevereiro 03, 2006
reminiscências, poemas e utopias de Bruno Ribeiro, Ricardo Pereira, Geraldo Magela e Caio Vaz Guimarães
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4 Comments:
haha, manda este roteiro pro Lynch.
Bruno, precisava falar contigo, mas não tenho seu telefone nem email.
Se puder, me escreva no
marina.franco@citrovita.com.br
obrigada!
beijos.
Gosto de sonhos. Mais ainda de cinema.
Ia adorar ver tua viagem criando pernas.
Também ia gostar de acreditar que não tem lógica nenhuma...
Êeeeeeee Bruno!
adorei teu sonho!!!
ha ha ha ha
Caro Bruno
Como gostaria que teu sonho fosse REAL.Ao menos os politicos iriam saber que nem mesmo as crianças aprovam a corrupção.
No próximo sonho tente torna-lo REAL!!!!
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